Aumento da incidência da doença no Brasil levanta preocupações sobre uma parte do corpo frequentemente negligenciada, onde lesões pequenas e mudanças na forma dos dedos podem resultar em complicações sérias.
Entre 2006 e 2024, o número de brasileiros diagnosticados com diabetes cresceu 135%, conforme revelou o Vigitel, um levantamento realizado pelo Ministério da Saúde, divulgado no início de 2026. Em 2006, apenas 5,5% dos adultos reportavam ter a condição.
Já em 2024, essa porcentagem saltou para 12,9%, ou seja, quase um em cada oito adultos. A Sociedade Brasileira de Diabetes estima que aproximadamente 20 milhões de pessoas no Brasil convivam com a enfermidade, colocando o país entre os seis primeiros do mundo em número de casos.
Esse crescimento gera um alerta que vai além do simples controle dos níveis de açúcar no sangue. Uma das consequências mais graves e menos discutidas do diabetes se manifesta nos pés, especialmente nos dedos.
É exatamente nessa área que a combinação de perda de sensibilidade, circulação comprometida e pequenas deformidades pode transformar uma lesão aparentemente inofensiva em uma ferida que cicatriza com dificuldade.
Estatísticas indicam a gravidade da questão: a Sociedade Brasileira de Diabetes informa que a doença é a principal causa de amputações não traumáticas de membros inferiores no Brasil, resultando em uma média de 28 amputações diárias.
Adicionalmente, cerca de 13 milhões de diabéticos apresentam úlceras nos pés, conhecido como pé diabético. Esse não é um risco distante; ele afeta grande parte daqueles que convivem com a doença há mais tempo.
Alterações nos pés devido ao diabetes
A vulnerabilidade dos pés está relacionada a dois processos induzidos pelo excesso de glicose ao longo do tempo. O primeiro deles é a neuropatia periférica, que compromete os nervos responsáveis pela sensação e pela dor.
Com a diminuição da sensibilidade, o indivíduo pode pisar em objetos, usar calçados apertados ou desenvolver bolhas sem perceber. Essas feridas se formam silenciosamente, tornando-se perigosas por essa falta de percepção.
O segundo fator é a circulação inadequada. O diabetes prejudica os vasos sanguíneos que irrigam as extremidades; é esse mesmo sangue que transporta oxigênio e células imunológicas essenciais para a cicatrização das feridas.
Sem uma adequada irrigação sanguínea, cortes que poderiam sarar rapidamente em indivíduos saudáveis podem permanecer abertos por longos períodos em pacientes com diabetes descontrolado.
Pesquisas indicam que entre 4% e 10% dos diabéticos desenvolvem úlceras nos pés durante suas vidas; além disso, a maioria das amputações relacionadas à doença é precedida por essas feridas.
Informações reveladas sugerem que os sintomas da neuropatia geralmente surgem até dez anos após o diagnóstico do diabetes, mesmo entre aqueles que seguem tratamento adequado. Assim sendo, o risco aumenta com o passar do tempo sendo portador da doença.
Esse cuidado torna-se ainda mais crucial entre os idosos, faixa etária na qual o diabetes é mais comum. Dados do Vigitel nas capitais mostram uma prevalência superior a 30% entre pessoas acima dos 65 anos.
Em áreas rurais onde há uma significativa população idosa, essa realidade ressalta a importância de incluir o cuidado com os pés na rotina de saúde dessas pessoas.
Deformidades dos dedos como fator de risco
As deformidades dos dedos são um aspecto essencial nesse contexto. Condições como dedo em martelo, dedo em garra e joanete alteram a distribuição do peso durante a caminhada. Onde antes havia um suporte uniforme agora existem pontos concentrados de pressão nas articulações ou na sola do pé.
Para indivíduos sem diabetes, esses pontos normalmente provocam calos e desconforto moderado. No entanto, para quem tem diabetes, a situação é mais crítica. O atrito contínuo com os calçados associado à diminuição da sensibilidade cria um ambiente propício ao surgimento das feridas não percebidas precocemente.
A literatura médica também aponta as deformidades nos pés e as restrições na mobilidade articular como fatores predisponentes para o desenvolvimento das úlceras.
O Dr. Bruno Air, especialista em tratamento para deformidades dos dedos dos pés em Goiânia, destaca que monitorar e tratar essas alterações antes que causem lesões é fundamental para evitar complicações severas em pacientes já diagnosticados com diabetes.
A ideia central é prevenir: corrigir as deformidades enquanto ainda são meras questões estéticas e não quando já se transformaram em portas abertas para infecções.
Calçados inadequados agravam ainda mais essa situação. Sapatos estreitos ou de bico fino aumentam a pressão sobre os dedos deformados e aceleram o surgimento de calosidades indesejadas.
Para aqueles cujos pés já estão comprometidos pelo diabetes, escolher calçados adequados deixa de ser apenas uma questão estética; passa a ser uma consideração clínica crucial. Um par inadequado ou um sapato novo muito apertado pode dar início a lesões difíceis de curar.
Inspeções regulares ajudam na prevenção
Uma quantidade significativa das complicações graves associadas ao pé diabético poderia ser evitada através da simples prática da inspeção regular dos pés. Um estudo publicado em uma revista científica brasileira revelou que pacientes que não realizaram essa checagem no último ano estavam 3,39 vezes mais propensos à necessidade de amputação.
A lógica por trás disso é clara: feridas indolores só serão descobertas se houver inspeção visual nos pés. A Dra. Camila Farias, endocrinologista especializada no tratamento do diabetes em Goiânia, recomenda que pessoas diabéticas examinem diariamente suas solas e dedos atrás de sinais como vermelhidão ou bolhas. Quando isso for difícil devido à visão ou mobilidade reduzida, usar um espelho ou contar com ajuda externa pode resolver o problema.
Programas estruturados para acompanhamento dos pés demonstraram reduzir as taxas de amputação quando comparados aos cuidados convencionais. O foco deve estar na regularidade das avaliações e na agilidade para tratar qualquer sinal antes que evolua para algo mais sério.
Atitudes simples como cortar as unhas inadequadamente ou ignorar um calo podem ter consequências desproporcionais quando combinadas à presença do diabetes.
Controle glicêmico: prioridade essencial
Nenhum cuidado local voltado aos pés poderá substituir o tratamento adequado da causa raiz do problema. Embora seja possível corrigir deformidades e ajustar calçados adequadamente, neuropatia e má circulação continuarão progredindo enquanto os níveis glicêmicos permanecerem elevados. Manter os níveis glicêmicos dentro das faixas recomendadas é fundamental para desacelerar as complicações associadas à doença.
Por esse motivo, consultas regulares com endocrinologistas costumam ser fundamentais no início do tratamento. Esses profissionais são responsáveis por ajustar medicamentos adequadamente e orientar sobre alimentação saudável enquanto monitoram exames importantes relacionados ao controle do diabetes , diminuindo assim as chances de deterioração nervosa e vascular nos pés.
Além disso, o controle metabólico impacta diretamente na cicatrização: feridas tendem a fechar mais rapidamente e têm menor probabilidade de infeccionar quando tratadas por pacientes com níveis glicêmicos equilibrados comparativamente àquelas enfrentadas por indivíduos com diabetes descontrolado. Quanto melhor for esse controle glicêmico menor será o impacto causado por pequenas lesões nos pés.”
Integração entre cuidados necessários
O cuidado com os pés diabéticos se mostra mais eficaz quando duas abordagens são integradas: primeiro está o controle da condição subjacente , responsável por retardar tanto neuropatia quanto preservar circulação sanguínea nas extremidades;
E também atenção à mecânica dos pés: corrigir deformidades existentes , optar por calçados confortáveis e tratar calos ou feridas logo no início são medidas fundamentais . Se essas frentes forem tratadas separadamente , o paciente estará sempre atrasado frente ao problema.”
Essa interação pode mudar drasticamente os resultados clínicos . Estudos realizados no Brasil demonstraram que muitas amputações têm origem nas úlceras , sendo estas frequentemente iniciadas como pequenas lesões em dedos deformados ou pontos sob pressão ignorados .”
(…) p>
(…) h2>
(…) p>
(…) p>
(…) p>
(…) h2>
(…) p>
Essa combinação logo no início é fundamental para evitar problemas maiores . O custo associado ao atraso também é significativo : segundo dados da Federação Internacional do Diabetes , Brasil está entre os três países com maiores gastos relacionados ao tratamento dessa condição.”
Com o avanço da incidência do diabetes no país , dar atenção aos cuidados com os pés tornou-se prioridade indispensável . Cada dedo torto , cada calo persistente , assim como cada pequena lesão , adquirem nova relevância quando acompanhados pela presença dessa condição crônica.”
Observar atentamente esses sinais e agir prontamente constituem uma forma eficaz para prevenir problemas graves antes que eles se tornem irreversíveis.” p>
